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Apagão na mão de obra entenda os motivos e resolva!







Por: Mario Cezar Nogales

Em um curto espaço de tempo, logo após o fim dos bloqueios de cidades e pessoas realizadas por diversos governos em nosso país por questões sanitárias e estando corretos ou não fato é que a hotelaria já voltou a sua normalidade, tanto que os resultados esperados estão superando todas as expectativas até dos mais otimistas.


No entanto, os funcionários que foram obrigados a ficar em casa porque os meios de hospedagem foram impedidos de trabalhar tiveram que encontrar outros meios de subsistência, afinal de contas, nós brasileiros somos imparáveis. Descobriram por fim o para que serve o raio da internet, a prestação de serviços do tipo imprescindível, enfim, toda uma gama de afazeres para não faltar comida e pagar as contas como aluguel, energia, agua, internet, além do alento que o governo federal deu na época que de fato salvou várias vidas, injetando dinheiro naqueles que precisavam e não preciso ficar aqui sendo repetitivo já que todos nós passamos por isso.


O que acontece agora que a hotelaria está em pleno vapor e está com dificuldade de colocar seus quadros de funcionários?


Recebo inúmeras informações de que tais redes e tais hotéis estão contratando e há várias pessoas ainda desempregadas, podemos verificar isto principalmente na rede social profissional Linkedin, no grupo Hoteleiros Brasileiros (o qual sou criador) com mais de 18.000 participantes todos os dias há um anuncio de vaga assim como pessoas procurando por emprego, e ainda assim os quadros nos hotéis estão defasados.


Podemos dizer neste momento que pode ser a questão salarial, ou a questão de carga de trabalho mas vejam o que ocorre durante uma entrevista ou um desligamento: as pessoas estão questionando mais sobre a sua carga de trabalho, a qualidade do trabalho que exercem, as possibilidades de trabalho em casa via computador enfim, várias questões relacionadas a qualidade de vida do que propriamente profissional.


Neste ponto devemos nos lembrar da pirâmide de Maslow (de domínio publico, basta uma pesquisa na internet) parece que neste momento e devido a crise sanitária as pessoas se deram conta de que suas necessidades fisiológicas e de segurança estão sendo atendidas o que as faz buscar as necessidades sociais, é o terceiro nível da Pirâmide. Neste grupo estão às necessidades de se sentir parte de um grupo social, como ter amigos, constituir família, receber carinho de parceiros sexuais, etc. Ou seja, se queremos ter os quadros completos para os meios de hospedagem devemos também mudar nossos paradigmas.


O que importa agora para esta geração de trabalhadores é a incessante busca da felicidade e, como é comum, quase ninguém entende ou sabe o que é felicidade, já perceberam que dinheiro pode ser obtido de várias formas, um pouco daqui e outro tanto dali e pronto já estão cobertos com as duas primeiras necessidades e o fazer parte de um grupo social, amigos, família se tornou mais importante que carreira, a grande maioria entendeu que uma carreira que destrua estas questões está descartada e justamente é o que a hotelaria exige de todos, uma espécie de sacerdócio, sempre foi assim, muitas horas de trabalho para servir a outros e nós com poucas ou nenhuma hora para nós mesmo. A minha geração que já trabalhava com 10 anos de idade sempre procurou a carreira antes de tudo, esta geração não!


O que fazer então para sair deste emaranhado que é o apagão profissional na hotelaria? Não se trata apenas de fazer ou mesmo pois, fazer o mesmo dará o mesmo resultado e com condicionantes diferentes do que havia o apagão persistirá.


Há várias alternativas para a mudança deste paradigma de contratação e temos de ser honestos e justos não apenas conosco, mas com a realidade que se nos apresenta. Vejamos pelo lado fisiológico, se compararmos com a década de 1980 e 1990 temos a realidade de que pessoas de 40 anos tem sua fisiologia muito semelhante às pessoas de 20 anos, as de 50 anos com as pessoas de 30 anos e assim por diante, já há o ditado, os 50 são os novos 30 e não é atoa que a média de vida no Brasil já chegou aos 80 anos e em breve seremos uma republica de velhos, contudo a verdade é

de que, seja por qual motivo for, pessoas que deveriam já pensar em aposentadoria ou se aposentar estão em plena atividade tanto física e mental e não vão parar por ai, também estão buscando o terceiro grau da pirâmide de Maslow.


Temos também a questão legal que é muito diferente do que era, no Brasil da década de 80 uma pessoa com 15 anos já estava casada e tinha pelo menos dois empregos e muitas dividas para pagar, ao chegar aos 20 anos tinha pelo menos experiência em algum ramo, hoje o jovem ao completar 18 anos ainda está na procura de um estagio ou de seu primeiro emprego que, por conta de proteger os jovens acabou por colocar estes no ostracismo profissional, ou seja, quando estas pessoas estiverem com 25 anos terão a mesma experiência que um garoto de 15 anos tinha.



Uma questão muito importante é a de inteligência, também por uma questão governamental, a média do QI do brasileiro está em 87, isto quer dizer que há uma grande força de trabalho que está ou muito abaixo ou muito acima desta média, os que estão muito abaixo não conseguem se fixar no emprego pois simplesmente são levados pelos seus instintos, já os que estão muito acima não conseguem emprego pois são muito qualificados. Não podemos nos esquecer do nível da formação nacional, formamos em nossos colégios e faculdades 50% de pessoas que são analfabetos funcionais, logo, não conseguem entender simples instruções e acabam por não passar sequer do período de experiência porque simplesmente não entendeu o que deve fazer.


Ainda por cima temos as questões trabalhistas que nos impedem de contratar conforme a necessidade real que temos, ou mantemos um quadro inflacionado o que custa caro para a operação já que a cada R$ 100,00 que pagamos aos funcionários eles recebem R$ 80,00 e para a empresa custa R$ 214,00 (considerando todas as taxas e encargos sociais) fora a questão de demissão este custo pode subir em mais de 40% considerando o tempo de treinamento e as multas trabalhistas. (pelo menos com isto já estávamos acostumados).


Pensando em todas estas questões e em uma mudança de paradigma firme com esta realidade as alternativas que nos resta, são as seguintes:


Subir a média etária

Contratar pessoas com mais idade que a média atual, estas pessoas que buscam emprego em seu hotel não estarão correndo atrás do próprio rabo e sabem o que estão fazendo, contudo custam um pouco mais caro.


Melhorar as folgas

Folgas duplas e triplas no meio hoteleiro eram (com uma grande ênfase deste verbo no passado) quase impensáveis, hoje uma necessidade, pessoas com mais tempo de folga conseguem desenvolver melhor o seu trabalho e atender as suas necessidades sociais.


Maior participação

Decisões tomadas apenas por chefes e supervisores é muito década de 1980, de fato já é fora de moda a muito tempo na administração, fazer com que o pessoal da base auxilie na tomada de decisão fara com que ele se sinta mais participante da empresa o que o fará “vestir a camisa” o que não é esperado por esta geração pois quase não participam de nada dentro dos hotéis.


Descentralização Geral

Esta é uma questão da raiz da empresa, em muitos meios de hospedagem é quase impossível pois o proprietário não abre mão de várias questões não apenas administrativas, mas também operacionais e comerciais, tenho experiências de consultados que somente o proprietário altera as tarifas, ou contrata, ou compra ou todas as alternativas ao mesmo tempo. Da mesma maneira que a grande maioria está buscando suas necessidades sociais, os proprietários e gestores também e descentralizar decisões além de manter o funcionário no hotel faz ele ter mais consciência do que acontece no hotel.


Se você, leitor, se viu em uma destas situações ou até mesmo em todas a situações é porque eu, não apenas como consultor, mas como também operador, proprietário, gerente, dono, passei por todas estas situações e consegui resolver todas estas questões, contudo nem todo remédio é igual para todos os meios é necessário uma análise profunda de sua gestão para que estas questões venham a tona e se descubram quais as ações devem ser feitas e quais medidas devem ser tomadas, afinal de contas estamos no Brasil, a terra do jeitinho, quase nada se leva a sério e temos o exemplo do que aconteceu com o Revenue Management que nunca foi implantado de forma correta.


Mario Cezar Nogales é consultor especializado em hotelaria e conta com experiência no ramo desde 1989, sendo autor de sete livros técnicos em hotelaria. Acesse: www.snhotelaria.com.br



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